Monero tem mais privacidade do que o Bitcoin, e daí?
Bitcoin, Monero, privacidade e todo o resto
Sim, o Monero oferece anonimato de verdade. As transações são ofuscadas por padrão, os saldos não são visíveis, e rastrear remetente e destinatário é praticamente impossível sem brechas específicas. Já o Bitcoin é pseudônimo — e só. Uma vez que você reutiliza endereços, ou vincula a identidade em algum ponto da cadeia, aquele “pseudônimo” cai feito um castelo de cartas.
Mas isso quer dizer que o Bitcoin é inferior?
Na minha análise subjetiva — e toda análise subjetiva é, por definição, individual — a resposta é: não.
A dor que o Bitcoin surgiu para resolver é a retirada do controle inflacionário estatal sobre a moeda, o que é possível mesmo sem privacidade, mas sim, Privacidade é muito importante, mas deve ser o único critério? há muitas outras falhas, no próprio Bitcoin, que serão sanadas com o tempo e o consenso dos nodes. Sem querer prever a Ação Humana, se assim for a vontade dos agentes.
Por mais que o Monero tenha privacidade, o Bitcoin tem algo muito mais fundamental ao meu ver: rede com o maior (e crescente) hash rate, portanto, com a maior segurança, previsibilidade de suas escassez e emissão programada, auditabilidade da rede, resistência à censura em nível global, e um exército de nós espalhados pelo mundo validando blocos com total independência. Isso sem falar na robustez e segurança da rede principal, na liquidez global, e em soluções como a Lightning Network, que já ampliam significativamente a privacidade para quem sabe usar.
E mais: nada impede que camadas superiores — inclusive terceiras camadas — focadas exclusivamente em privacidade sejam adotadas sobre o Bitcoin. Aliás, até mesmo uma segunda camada com características ainda mais anônimas do que a própria Lightning pode emergir. Porque, diferente de moedas de nicho com proposta fechada, o ecossistema do Bitcoin é vivo, modular e antifrágil. Se anonimato ou privacidade total forem o seu foco, enquanto tais soluções não surgem, USE MONERO.
A verdade é que se o objetivo é construir um novo sistema financeiro, não dá pra fingir que os Estados não existem. Eles estão aí, regulando, proibindo, censurando — e qualquer sistema que prometa privacidade total por padrão vai enfrentar o ataque deles logo de cara. Não é à toa que Monero vive sendo excluído de exchanges, listado como “moeda de risco” e tratado como ameaça por governos e órgãos de compliance.
O Bitcoin, com seu pseudoanonimato e transparência auditável, passou por baixo do radar por tempo suficiente pra crescer. Já está nas tesourarias de empresas públicas, na balança comercial de países e no portfólio de bancos centrais — tudo isso sem abrir mão da autocustódia e da resistência à censura. O que parece fraqueza é, na verdade, uma brecha estratégica. O Bitcoin entrou pela porta da frente, como um aríete silencioso, abrindo caminho não só pra si, mas pra todo o ecossistema. Um verdadeiro cavalo de Tróia.
Então sim, Monero é útil. Mas é o Bitcoin que está furando o cerco. E toda essa abertura de mercado que hoje permite você, apesar de longe do ideal, usar uma wallet custodial, fazer um Pix pra uma exchange e comprar cripto sem ser tratado como terrorista, só existe porque o Bitcoin foi aceito entre aspas pelo sistema.
Se Monero é o guerreiro escondido na floresta, Bitcoin é o tanque que abriu a estrada. Um não precisa destruir o outro. O inimigo é outro.
Se você entende minimamente sobre autocustódia, evita burradas como reutilizar endereço, usa carteira própria e não sai por aí ligando CPF com hash de transação, você já está num patamar acima de 99% da manada estatista que confunde liberdade com autorização estatal.
Essa é a minha escolha. Bitcoin é o que eu uso. É o que eu entendo. É o que eu ensino. Se pra você for diferente… boa sorte aí.


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Transacionando bitcoin pela Lightning você também tem uma boa privacidade, não?